"Tudo que vai
Deixa o gosto,
deixa as fotos
Quanto tempo faz
Deixa os dedos,
deixa a memória
Eu nem me lembro mais..."
(Tudo que vai - Capita Inicial)
Tempos de definições são difícieis. Exigem de nós energia que por muitas vezes não temos - não é todo dia que queremos lutar contra sentimentos diferentes, que mudam a todo momento; Quantas vezes desejamos nos perguntar se realmente o amor acabou, se o que sobrou foi só carinho e preocupação ou se ainda pior se o que sobrou foram magóas e aquele sentimento triste e muitas vezes tortuoso da posse. Quando podemos saber saber se ainda existe um resquício mínimo que guardamos dentro de nós, a esperança do renascimento.
Separar-se de alguém que se amou é experimentar uma mudança de toda a maneira que naquele momentos vemos do mundo: E o que fica é a crença de que um amor verdadeiro resiste à tudo, e fica um gosto estranho de fracasso, como se nossos sentimentos e a pessoa em questão pudesse se resumir em termos tão maniqueístas.Separar-se de alguém que se amou, é antes de tudo triste. Mas tristezas como tudo na vida, passam. Desde que não a alimentemos.
A forma mais comum de alimenta-las é insistir em um contato nocivo por nos trazer naquele momento um certo alento, um tanto que duvidoso, mas alento: a voz conhecida, o choro que sabemos como estancar, a risada que nos lembra como erámos felizes, parece que nos sentimos mais seguros com o passado que conhecemos, com todos os seus conhecidos problemas, do que com a promessa de um futuro incerto. Alimentá-las é achar que isso pode, de alguma maneira, fazer bem para os dois. É como manter vivo um paciente com morte cerebral na esperança que um milagre o faça acordar sorrindo, curado.
Dói todos os dias que isso não acontece. E dói mais ainda quando, finalmente, ele morre - mas, então, enfim, todos ficam livres para seguir a vida.
A verdade é que, enquanto não decidimos se acabou ou não, se queremos aquela relação de volta ( com todas as neuroses, sofrimentos e desgastes que nos fizeram terminar) ou se ela faz parte do universo sem volta do passado. Nada anda,atolamos. Ninguém novo pode entrar, arejar os dias. Nem sozinhos ficamos bem. Só o vulto do passado nos acompanha, mesmos nas horas mais alegres. Não nos permitimos.
Enquanto não deixamos o passado para trás, não há futuro.
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